• darkblurbg
Fisioterapia e Reeducação Perineal no Pré e Pós - Parto
Vimos que a Incontinência Urinária não é rara durante a gravidez. O mecanismo dos distúrbios é plurifatorial e mal esclarecido. A incontinência urinária de manifesta principalmente no ultimo trimestre, com as perdas aparecendo, então, num contexto de poliúria e de imperiosidades e essas perdas são reversíveis. Os mecanismos das perdas são numerosos e a gravidez pode agravar uma incontinência preexistente. A gravidez  traz modificações hormonais e anatômicas que têm efeito sobre a musculatura perineal e as estruturas fibro-ligamentares. A mulher grávida apresenta hiperlordose, hiperpressão intravelvica, constipação, alem de modificações vasculares e de ganho de peso, que são fatores desencadeantes ou agravantes da IU.  Nesse contexto a Reedução Perineal torna-se indicada para manter a saúde e qualidade de vida da gestante.
 
 
 
Pré-Parto 
 
A maioria das IU que aparecem durante a gravidez começam no terceiro trimestre e são, na maior parte das vezes, transitórias e regridem espontaneamente. Essas mulheres podem se beneficiar da reeducação perineal, a qual é perfeitamente realizável entre o terceiro e o sétimo mês de gravidez. As técnicas, com exceção da eletroestimulação, são as descritas e usadas habitualmente.
Quanto melhor for a força do assoalho pélvico e sua conscientização menos dificuldade haverá com incontinência e prolapsos após o parto. O assoalho pélvico é o ultimo obstáculo na hora do parto e sua musculatura deve se distender, relaxar-se ao máximo possível a fim de possibilitar a passagem do bebê. Quanto mais forte e bem percebido for um músculo, melhor será sua capacidade de relaxamento voluntário. As sessões de preparação ao parto apresentam uma boa oportunidade para realizar essa sensibilização. Frequentemente esses exercícios pedem contração e relaxamento do assoalho pélvico e se integram num contexto mais global de descontração, trabalho respiratório e de posicionamento da coluna e bacia ajudando a prevenir e/ou tratar a IU e facilitar a expulsão do bebê na hora do parto.
 
 
 
Parto
 
O parto é um traumatismo importante. Mesmo normal, ele provoca lesões ou alterações dos sistemas de sustentação. Microtraumatismos constantes, que produzem efeito cumulativo, responsável pela maioria dos prolapsos e das incontinências de esforço. Os prazos de aparecimento dessas manifestações clínicas dependem da existência de outros fatores, como doenças respiratórias, constipação ou atividades de impacto. Às vezes, a exteriorização dessas lesões só aparece com as modificações importantes de tecido, graças à menopausa. 
 
Torna-se difícil, as vezes, estabelecer uma ligação de causa e efeito, dada a intervenção de muitos outros fatores, como qualidade do tecido, estado físico e nutricional e o estado prévio do assoalho pélvico.  A anestesia peridural oferece relaxamento ideal dos músculos elevadores e poderia representar uma proteção interessante. 
Pós-parto
 
É um momento decisivo que condiciona a evolução ou aparição posterior dos prolapsos e incontinências.
 
Esse período de grande fragilidade pode durar de 6 a 8 semanas após o parto. É o período dos cuidados perineais, com controle das cicatrizes, período de involução do útero, que vai retomar sensivelmente, em 2 meses, as dimensões e a posição de  antes da gravidez. É também o período em que a impregnação estrogênica tissular faz falta e a fraqueza é mais observada. Por todos esses motivos, deve-se evitar o reforço sistemático e intensivo da musculatura abdominal. Porem , exercícios de relaxamento, suave, baseado na respiração e na conscientização do esquema corporal é totalmente indicada. A mulher pode, rapidamente, começar as contrações voluntárias do assoalho pélvico com autocontrole, exercícios e posições adaptadas que permitem, por meio do acionamento do transverso, ativar a parede abdominal de maneira inteligente e apropriada.