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Fisioterapia para Distúrbios da Defecação
 
A fisioterapia para distúrbios da defecação é uma área de atuação relativamente nova e hoje iremos abordar o tratamento fisioterapêutico nas disfunções evacuatórias mais freqüentes: contração paradoxal do puborretal (anismo) também chamada de constipação por obstrução da saída, e a incontinência fecal.
 
A constipação crônica apresenta sintomas e fisiopatologias diferentes, com sua prevalência variando de 2% a 30% da população ocidental, e podendo ser considerada um agente agressor do assoalho pélvico, pois devido ao esforço evacuatório constante, promove um estiramento do nervo pudendo. 
 
Uma forma padronizada internacionalmente para diagnosticar constipação funcional, baseia-se nos critérios de Roma III, compostos por seis sintomas que são:
menos de 3 evacuações por semana,
esforço ao evacuar,
presença de fezes endurecidas ou fragmentadas,
sensação de evacuação incompleta,
sensação de obstrução ou interrupção da evacuação e manobras manuais para facilitar a evacuação, por pelo menos 6 meses durante 1 ano.


Algumas vezes, presença de outras sintomas como: 
dor abdominal,
incontinência fecal
encoprese (dificuldade de controlar o esfíncter anal).

 
A constipação intestinal é mais prevalente em mulheres, estudo dos EUA observou a CI em 16% das mulheres; em estudos realizados na Austrália verificou-se que mais de 42% das mulheres idosas referem constipação em relação aos homens. Entre os fatores que podem indicar essa maior prevalência, cita-se os danos causados aos músculos pélvicos e suas inervações, decorrentes de partos e cirurgias ginecológicas. 
 
Mais de 50% dos constipados reportam dificuldades na defecação e muitos apresentam alterações do assoalho pélvico. Foi demonstrado que muitos pacientes com defecação obstruída apresentavam contração paradoxal do puborretal e/ou inabilidade em relaxar o esfíncter anal.
 
A constipação não é um problema apenas do nosso intestino, pois pode levar também a problemas de controle de bexiga. Quando o reto esta cheio de fezes, pode ocasionar um distúrbio na bexiga e provocar a sensação de urgência e freqüência. A constipação crônica pode aumentar os sintomas de hiperatividade vesical, devido ao constante esforço evacuatório e aumento da pressão abdominal, o que enfraquece o mecanismo de suporte vesical e dos órgãos pélvicos. O cólon cheio de fezes adiciona uma pressão extra sobre a cúpula vesical. A constipação severa pode, portanto, vir a ser a causa ou um facilitador de incontinência urinária de esforço, devido ao estiramento do nervo pudendo ao longo do tempo.
 
De modo geral, a evacuação intestinal é, entre outros fatores, resultante da atividade de um grande grupo de músculos e portanto, antes de iniciar um tratamento fisioterapeutico faz-se necessário uma avaliação detalhada  e criteriosa do paciente para haver uma boa evolução no tratamento e melhora da qualidade de vida.