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Saiba por que você deve exercitar seu assoalho pélvico
Ninguém tem dúvidas da importância dos exercícios físicos para o próprio bem-estar. O fortalecimento dos músculos é fundamental para a funcionalidade do organismo e também para melhorar a autoestima em frente ao espelho. O que grande parte da população não sabe é que o corpo humano tem grupos musculares mais profundos, que nem sempre podem ser exibidos – mas que, igualmente, devem ser trabalhados. O assoalho pélvico é uma dessas musculaturas que precisam ser exercitadas para não perder a força. Afinal, ela é responsável pela sustentação de vários órgãos, pela continência urinaria e fecal, e ainda contribui para a qualidade nas relações sexuais.
 
O fundo da bacia (osso da pelve) termina em uma cavidade afunilada, chamada cavidade pélvica, onde estão órgãos como bexiga, próstata e reto. O fundo desse funil é fechado por uma espécie de cama elástica, o assoalho pélvico, auxiliados por fascias (tecidos) e ligamentos.
 
Nos homens, o enfraquecimento dessa estrutura não é tão comum e geralmente está associado à cirurgias urológicas (em caso de câncer de próstata por exemplo). Já nas mulheres, esse assoalho tem um orifício a mais, o canal vaginal, que o torna mais frágil. Alem disso, fatores como gestação, menopausa (redução de estrogênio) e características hereditárias propiciam a disfunção do grupo muscular.
 
- Podemos estimar que cerca de 20% das mulheres brasileiras, se considerarmos todas as idades, sofrem da algum problema decorrente do enfraquecimento do assoalho pélvico. É um quadro, bem comum que começa principalmente a partir dos 30 anos. Se pegarmos a população feminina acima de 80 anos, quase a totalidade convive com incontinência urinaria – afirma Nelson Batezini, urologista do Hospital Moinhos de Ventos, em Porto Alegre.
 
A impossibilidade de segurar o xixi ao espirrar, tossir ou rir é uma das principais indicações de que a musculatura da região esta sem força e não consegue mais sustentar a uretra. Não é um sintoma que, necessariamente, oferece um risco maior a saúde da mulher – mas reduz a qualidade de vida, trazendo um grande prejuízo social. Não são poucos os casos de pacientes que chegam aos seus médicos queixando-se que não costumam ingerir líquidos quando saem de casa e que ficam sempre rastreando o banheiro mais próximo. 
 
- Existe a mística de que perder urina é normal com a chegada da velhice. É um erro. Perder urina não é normal em nenhuma fase da vida, com exceção de quando se é bebê. Se forem levadas em conta todas as mulheres que não sabem que isso é um problema e as que têm vergonha de falar com seus médicos sobre o assunto, so comentado quando chegam a estágios crônicos, podemos imaginar que o percentual feminino que sofre com  incontinência urinaria é bem maior – complementa Batezini.
 
De acordo com a fisioterapeuta Patrícia Viana da Rosa, professora de Saúde da Mulher na UFSCPA, não há idade para dar importância ao conhecimento e à prevenção da disfunção desta parte “escondida” do corpo.
 
- São muitas as crianças com problemas de eliminação de urina e fezes, tarefas que podem estar diretamente relacionadas com o assoalho pélvico. Nossa tarefa é trabalhar com a orientação de exercícios próprios para a região, que são bastante simples e envolvem a contração e o relaxamento dos músculos – explica a especialista em Fisioterapia Pélvica.
 
Como fortalecer 
 
Alem da incontinência urinaria, fecal e de gases, o enfraquecimento do assoalho pélvico pode ainda estar ligado à ejaculação precoce nos homens e, nas mulheres, à impossibilidade ou dificuldade de se atingir o orgasmo e a dores na relação sexual. Em casos mais graves, por lesão ou fraqueza, essa musculatura pode se tornar incapaz de segurar órgãos, que descem de suas posições, originando o prolapso genital (útero ou bexiga caídos).
 
Toda a base do tratamento fisioterapeutico está no fortalecimento desta estrutura a partir da cinesioterapia, que compreende exercícios para a normalização do tônus muscular. A técnica, que pode ser realizada sozinha ou com uso de acessórios, cones vaginais, eletroestimulação (que ensina a mulher qual musculatura a ser contraída) e biofeedback, consiste em um tratamento conservador para a IU e até a prevenção de enfermidades do assoalho pélvico.
 
As sessões de fisioterapia pélvica podem ser semanais e, em casos mais complexos, ocorrem duas vezes por semana. Grande parte dos pacientes sente resultados com quatro sessões, podendo dar prosseguimento ao tratamento em casa.
 
- Existe também um parte comportamental que associamos às técnicas. Orientamos os pacientes a evitar tomar liquidos após as 20h e restringir alimentos que irritem a bexiga, como bebidas cafeinadas, cítricos e chocolate. A fisioterapia pélvica é uma das primeiras linhas de tratamento e pode ter 100% de resultado – acrescenta a fisioterapeuta Patrícia Viana da Rosa.
 
Pacientes com bexiga hiperativa (aumento da freqüência urinaria) e com urgência miccional (necessidade súbita de ir ao banheiro) ainda podem recorrer ao uso de medicamentos após a tentativa do tratamento fisioterapêutico – remédios, no entanto, não ajuda a IU relacionada a força do assoalho pélvico. Quando todos os métodos falharem, ou quando o paciente não deseja passar pelo tratamento conservador, é recomendada a cirurgia de correção urinaria.
 
Vida sexual com mais prazer  
 
O controle do movimento do assoalho pélvico pode levar mulheres a ter maior satisfação sexual, proporcionando mais facilidade para se chegar ao orgasmo. 
 
O domínio da contração voluntaria desta musculatura requer pratica e treino. Uma das técnicas mais comuns quando o objetivo é a melhora no desempenho sexual é o pompoarismo, que consiste na introdução de cones e bolinhas de metal ou plástica na vagina. Elas assumem a função de halteres, auxiliando no desenvolvimento da força e do controle motor dos músculos. A base dos exercícios originários na Ásia é a mesma dos exercícios usados em tratamentos fisioterápicos ou em protocolos medico, como o que o ginecologista norte-americano Arnold Kegel criou nos nos 90.

Fonte: Zero Hora